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quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

A chama que se desprende de uma lamparina...

Continuação dos posts anteriores
Mamãe também contava, de vez em quando, casos a respeito do Inferno. Não tanto tirados de livros de piedade, que no tempo dela no Brasil não eram muito difundidos, mas de fatos que se narravam nas rodas familiares dela e das famílias amigas.
Por exemplo, o caso de uma fazendeira muito rica, cujo marido tinha oito fazendas, mais ou menos próximas uma das outras; o que formava um latifúndio colossal.
Esse homem, naturalmente para fiscalizar essas propriedades, tinha que ir de uma fazenda para outra com alguma frequência. E nessas viagens ele muitas vezes dormia — essas fazendas tinham casas — ora numa casa, ora numa outra e depois voltava para a residência dele.
Quando havia essas viagens, essa senhora, cujas filhas já estavam casadas, pedia para uma sobrinha solteira fazer-lhe companhia, principalmente durante a noite. O que era uma coisa compreensível na solidão do sertão daquele tempo, sem policiamento.
E certa noite ela acordou a sobrinha e lhe disse: “Minha filha, você está vendo?”
A sobrinha olhou e percebeu que de uma lamparina que estava lá, uma chama se desprendeu, deu a volta por todo o quarto e se apagou. E elas ficaram muito impressionadas com aquilo.
Qual não foi a sensação que elas tiveram quando, de manhã bem cedinho, veio um empregado de uma das fazendas dele, a cavalo, a toda a pressa, contar que o fazendeiro fora encontrado morto no cafezal! Ela contava isso com uma seriedade que fazia com que a pessoa sentisse a realidade e a gravidade da Morte, do Juízo e do risco de se cair no Inferno.

Mas Dona Lucilia também gostava muito de narrar fatos relacionados com o Céu, sobre almas que estavam glorificadas no Paraíso porque tinham sido muito boas na Terra.
Continua

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Confiança na salvação eterna, pela bondade de Nossa Senhora

Continuação do post anterior
É bem como o olhar dela está nessa fotografia. Sua atitude é de senhora de sociedade, mas muito decidida. Naquilo que ela crê, ela crê; aquilo que ela sabe, ela sabe; para aquilo que está disposta a fazer sacrifícios a fim de homenagear e propugnar, quer dizer, a Santa Igreja Católica, ela fará o esforço necessário.
Toda a educação que ela me deu está em germe naquela atitude de
alma.
E essa atitude torna a pessoa muito propensa a refletir a respeito dos Novíssimos. Porque uma pessoa que está colocada diante de coisas sérias, mas não gosta das coisas sérias e sim da brincadeirada, da malandragem, da bobice, toma um ar enfadado, enfarado, aborrecido, de quem está querendo escapar daquelas ideias para cair na folia habitual.

Não havia nada disso com ela. Dona Lucilia sentia-se inteiramente à vontade naquela contemplação, naquela meditação, e a firmeza de sua vontade lhe dá uma espécie de segurança e de certeza de que, com confiança em Nossa Senhora, ela chegará até ao Céu; essas são as notas dominantes de sua vida.
Continua

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Lições sobre os Novíssimos do homem

Dona Lucilia possuía um profundo conhecimento da Doutrina Católica, não tanto devido à leitura de livros, mas a suas observações e meditações a respeito de fatos da vida. A fim de formar seus filhos e instruí-los sobre os Novíssimos, ela narrava casos impressionantes ocorridos com pessoas relacionadas com sua família.
Vejamos os comentários de Plinio Corrêa de Oliveira.
Em Dona Lucilia eu via grande seriedade e profundidade, e seu amor para com todas as verdades ensinadas pela Igreja Católica, entre as quais os Novíssimos do homem.
Amor à seriedade
Naquela fotografia tirada em Paris, ela está vestida com certa pompa, certa distinção que as senhoras daquele tempo, quer dizer, imediatamente antes da Primeira Guerra Mundial — 1914, portanto —, usavam quando iam para uma reunião social. E mamãe, com certeza, estava vestida para uma reunião social.
Se bem que ela se encontrasse com uma preocupação de se fazer fotografar de um modo condigno e respeitável, e de outro lado tivesse diante de si a perspectiva de uma reunião social, na qual uma senhora cônscia de suas responsabilidades compreende que tem um papel a representar, que deve absolutamente ter realce, destaque, saber conversar, apesar de tudo isso ela está com o melhor do seu espírito voltado para paragens muito mais altas, e numa atitude de quem, contemplando verdades sérias, se põe numa posição de alma séria; e ama muito a seriedade.
Quer dizer, há um bem-estar dela na seriedade que se nota no fundo do seu olhar.
Eu percebo isso até por um pequeno pormenor que aqueles que não a conheceram não podem notar. Ela tinha os olhos, como a maior parte das senhoras brasileiras, de cor castanho-médio, comum. Mas quando ela considerava qualquer coisa com mais seriedade, mais atenção, a tonalidade de seus olhos mudava um pouco, e aquela cor castanha se tornava castanho-escuro, indicando o esforço visual que estava atrás do esforço da reflexão.

Continua